Existem dois códigos que são essenciais para alguém ser considerado parte do gótico: seu estilo musical e seu estilo visual. Ouvir The Cure e vestir arrastão te faz muito mais gótico que saber de cor cada palavra escrita no romance "O Estrangeiro" do francês Albert Camus ou saber como se desenvolveu o horror expressionista. Agora, interessante é saber que R. Smith usou o romance de Camus como inspiração para compôr a música "Killing an Arab" e que as referências estéticas dos góticos vem de filmes como "O Gabinete do Dr. Caligari", do expressionismo alemão.
O que eu quero dizer com isso? Que o gothic rock, o darkwave, o ethereal, o preto nas vestimentas e a maquiagem pesada tem um motivo de ser. Pense: as pessoas sempre se inspiram naquilo que gostam. Se eu adoro filmes de horror, é natural que queira enfeitar meu quarto com bonequinhos do Drácula (interpretado por Bela Lugosi, é claro), com crânios, com caixões, com a cor negra... É natural que eu adore a música Bela Lugosi's Dead do Bauhaus, porque eu acho o Bela Lugosi um ator esplêndido! Enfim, é uma coisa que leva a outra.
Sabe o que acontece? As pessoas confundem muito a preferência com a obrigação de gostar de determinados temas. Você não decide algo como "hoje eu quero virar gótica" só porque achou as roupas legais e depois diz: "Bom, já que eu vou virar gótica, tenho que gostar desse tipo de literatura, desse tipo de música e desse tipo de filmes".
Uma pessoa que não segue modas decide que vai ouvir o que combina consigo, se vestir da maneira que gosta, assistir o tipo de filmes que aprecia e frequentar o tipo de festa que toca suas músicas preferidas - e depois essa pessoa acaba notando que tudo isso a fez ser parte integrante de uma subcultura onde muitos outros adoram as mesmas coisas! Olha que interessante!
Quero dizer com isso que sou gótica? Não! Eu quero dizer com tudo isso que não importa! :D
Quero dizer que realmente não me faz diferença saber se as músicas que escuto são ou não parte integrante da subcultura gótica, se os góticos costumam gostar dos mesmos filmes que eu, de frequentar os mesmos lugares ou de ler sobre os mesmos temas. Eu gosto de muita coisa que não faz parte da subcultura gótica e não sinto necessidade de me afirmar parte de um grupo (gótico ou banger). Tenho percebido que muitas pessoas tem preferido não se afirmar parte de nada, também: e a verdade é que não faz diferença nenhuma.
Quem se afirma gótico pode gostar de muitas coisas "de fora" da subcultura, bem como quem jura de pés juntos que não é gótico pode gostar apenas dos "signos" da subcultura. Nem um dos dois está errado, de forma alguma!
Só digo uma coisa: não se importe com isso. Escute o que você gosta, vista-se com as roupas que te fazem sentir-se bem e assista os filmes que preferir - isso é ser você mesmo...
Mas tenham certeza de uma coisa: quando me perguntam "Você é gótica" eu responto "Mas é claro!".
Beijos, Succubi!!



